
Quarta-feira, Julho 02, 2008
Aí volta e meia eu tô meio pra baixo, sem uma razão muito definida pra isso, e não demora muito me vem à cabeça a idéia de dar fim a tudo isso.
Quando digo isso me refiro ao blog.
Penso: "aí está, vou fechar essa porra toda". O coitado do blog não tem nada a ver com o pastel, tá ali na dele, nem reclama do visual sooo last season ou do domínio feioso. É um cara boa praça, esse blog. Compreensivo, coisa e tal. Gente fina. Vai ver é por isso que eu escolho ele pra tomar porrada - bonzinho só se fode mesmo. E lá vai o Gustavo procurar nas configurações do Blogger como faz pra dar cabo no coitado.
Foda é que acabar com blog é muito manjado. "Vou-me embora, adeus mundo cruel", e o nego sempre volta. Já viu isso? Tipo dizer que vai sair do Quarteto Fantástico. Toda semana eles brigam e alguém decide sair do Quarteto Fantástico. Uma hora é o Tocha que arruma a trouxa, depois o Coisa junta seus balangandãs, daí é a Mulher Invisível, aí o Tocha de novo. No fim do mês tá toda galera amiga jogando aquela canastrinha no quartel general. Ainda por cima, sempre que alguém deixa o grupo aparece outro desocupado pra ocupar o lugar: Surfista Prateado, Namor, rolou até uma vez que geral vazou e formaram o novo Quarteto com o Homem-Aranha, Wolverine, Hulk e Motoqueiro Fantasma. Porra, Motoqueiro Fantasma no Quarteto Fantástico é o cacete! Não tem nada a ver, é como botar o Roberto Justus de treinador da Seleção!
Então eu fico nessas de fecha-não fecha, biriri, bororó, se chover de tarde a gente vai de manhã... acabo não atualizando, deixo o NB numa espécie de vizinho distante, como aquele amigo esquecido que a gente liga pra chamar pra pelada quando falta gente. E ele não se importa. É gente boa, como eu falei. Me dou conta que eu que sou um péssimo companheiro. Mal aí, cara.
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Guto @
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Sexta-feira, Junho 13, 2008
Nunca mais postarei porque vento congelou minhas falanges
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17:47
Domingo, Junho 01, 2008
Maio
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Sexta-feira, Maio 02, 2008
Da potência criativa do ressentimento
Concluí que existem pessoas que definitivamente não gostam de mousse de chocolate. Isso ficou muito claro hoje. E, quando digo "não gostam", não me refiro somente a preferir não comê-las. Não, não. Tenho conhecidos que abstém-se de comer pudim, Fandangos, xis-coração - eu mesmo tenho minhas restrições, e veja! há até quem não coma carne! E sei que tais sujeitos conseguem levar uma vida razoavelmente normal, ir a bares, ler jornais, reclamar do técnico da seleção, enfim; nada que impeça o bom convívio social.
Com as mousses de chocolate, não.
As pessoas que não gostam de mousses de chocolate levaram suas mágoas para um nível mais complicado. Parecem obstinadas a dedicar boa parte de suas existências a protestar conta tal iguaria. Não apenas exercem a recusa, simulando desdém, como tentam privar os outros. Talvez seja um fenômeno recente, ainda secreto aos auspícios de um observador desatento, mas certamente está lá e cresce com força. Tomei ciência dos primeiros indícios em um jantar no mês retrasado onde encontrei, deitado sobre a mousse, um suspeito creme de maracujá. Dispunha-se homogeneamente, insinuando crime pensado; os outros convivas, no entanto, consideraram apenas excentricidade de uma cozinheira audaz. Comeram, indiferentes. Noutra feita, em um restaurante da Redenção, encontrei um cenário semelhante: na mesa de sobremesas haviam subtraído a plaqueta indicando a mousse e apresentaram paralelamente um desagradável amálgama batizado "estrogonofe de chocolate", induzindo propositalmente os frequentadores ao equívoco.
Hoje, contudo, vilipendiaram as instituições democráticas. Após saboroso buffet, encaminhei-me às guloseimas e testemunhei a inscrição: "mousse de chocolate com nozes". COM NOZES, sacramento! Meu quepe quase aterrisou sobre o sagu. Precisei de ajuda de uma senhora que deixou seus brotos de feijão momentaneamente de lado para reconduzir-me à minha mesa. Quando retomei o fôlego, chamei discretamente o garçom, tentando não ser percebido pelos demais clientes. Ele, prestativo, se aproximou. "Com licença, cavalheiro" - falei, diminuido o tom de voz, o que fez com que ele se abaixasse. Então, com calma e firmeza, prossegui: "acredito que alguém tenha plantado nozes em sua mousse de chocolate". Olhei-o nos olhos por um instante para que compreendesse que eu não estava brincando. Ele estranhamente desprezou meu alerta. Paguei minha conta rapidamente e saí sem olhar para trás. O cretino garçom deve fazer parte dessa conspiração.
Deixo aqui meu aviso. Precisamos nos mobilizar contra esse fundamentalismo terrorista JÁ. Ou então, senhores, não reclamem depois que estiverem servindo urina em vossas mousses de chocolate.
Não paguei a conta da internet. Perdi as pontas dos dedos por razão do frio. Abandonei mais um blog. Passei o último mês assistindo desenhos japoneses. Ando lendo menos do que deveria. O Carcamano, ah, o Carcamano. As psicoses. O resto.
Fui no circo - sim, O Circo, presenteado pelo sogrão. É bárbaro, minuciosamente preciso, comovente - porque, talvez vocês percebam, Alegría não trata exatamente do signo que apresenta. A verdade se revela em cada uma das belas e tristes canções. Depreendam o olhar das sobre-humanidades dos acrobatas; atentem por um instante as demais personagens e suas (des)humanidades: as hediondas dançarinas, o apresentador turrão, o anjo negro que visita um dos atos. Não figuram gratuitamente, não é do feitio do Cirque. Me parece que os canadenses, sábios, inseriram nas cenas discretos representantes da agonia, da feiura, da obtusão, da finitude - certamente os medos mais íntimos dos próprios artistas, como nós, oferecidos à exaustão ao júbilo do Outro. Que esses temores sejam vistos, que tenham seu lugar no espetáculo, que no aplauso final tirem as máscaras e provem-se - surpresa! - humanos como todos os outros. Talvez seja essa, afinal, a essência da alegria.
Ex-namorada de Ronaldo é convidada para fazer filme pornô. Não acreditem em mim, verifiquem com suas próprias retinas neste arauto da verdade mediante clic.

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Quinta-feira, Abril 24, 2008
Quarta-feira eu sou cinza
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Quarta-feira, Abril 16, 2008
Quem gosta de inverno são as mulheres de seios pequenos.
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Sábado, Abril 12, 2008
Tempos difícieis
"Trabalhamos com a palavra, não com o corpo". Orientação enunciada nos primeiros dias de clínica; que grande mentira. Como se o que oferecêssemos aos pacientes, por ser mais palavra, fosse menos corpo. Como se houvesse escolha de não se entregar por inteiro ao sofrimento de quem pede tratamento. E como se esse corpo não reclamasse seu lugar após um dia inteiro acolhendo os singulares infernos daqueles que pedem tratamento. Durma-se com um barulho desses.
Por isso os gregos chamavam "Academia" os lugares de alto exercício do pensar e do corpo. Os Jedi também. Honra a ambos.
Nossos amigos psiquiatras da aula das 18h certamente poderiam receitar um desses maravilhosos comprimidos para viver melhor que a ciência produziu, mas eu sou meio cético em relação a esse tipo de crendice. Tomar meio Rivotril pra dormir, e se funcionar depois de um mês aumentar a dose. Mas hei, não tava funcionando? Por que aumentar?* Decerto não é o remédio o problema, sou eu.
Particularmente, prefiro me entorpecer de futebol na TV e filmes-pipoca. Ou fazer escambo de músicas no MSN até o sono me derrubar, se bem que costumo ser um péssimo contato virtual nesses dias cansativos. Ou, no caso, insistir na composição de um post qualquer até que meu Eu, dissolvido durante o dia, consiga paulatinamente se reunir numa imagem mais ou menos coerente, ou não tão coerente, ou o que conseguir montar com o que sobrou - qualquer coisa que possa sustentar minimamente aquele corpo para outro dia amanhã...
* A resposta séria pra essa pergunta: sub-regulação, fenômeno também conhecido como "porque os remédios eventualmente acabam fodendo com o sujeito." Tenha medo, pergunte-me como.
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16:15
Quarta-feira, Março 26, 2008
Onde estabeleço que toda a antropologia sexual moderna é uma falácia
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00:30
Domingo, Março 16, 2008
Possuído por Espírito Zombeteiro
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Domingo, Março 09, 2008
Antes (à) tarde do que nunca
Suponhamos que eu, nomeadamente um homem, decida escrever um livro sobre a diferença entre homens e cães. Não sei que motivos me levariam a isso, talvez fosse porque algo me faça crer que tal distinção não seja suficientemente nítida e mereça ser enunciada. Vai saber. De qualquer forma, imaginemos esse esboço de divisão entre homens e cães, elaborada através de uma análise pormenorizada das semelhanças e dessemelhanças entre as partes com hipóteses bio-psico-sociológicas explicativas.
De antemão, não há qualquer indício de que os cães possam estar muito interessados nessa questão. Portanto, não seria para eles que eu estaria endereçando o tal livro, até porque me parece que cães não sabem ler. E, mesmo que dominassem tal faculdade, seria plausível que desmerecessem a obra. Ela foi feita por um homem, e um homem nunca poderá entender a realidade dos cães, tampouco compreender a relação entre homens e cães porque ele estará irremediavelmente situado em um dos lados dessa inequação. Mesmo que eu vivesse entre cães, que mijasse em postes e passasse a cheirar virilhas alheias, ainda assim eu seria sempre um homem tentando escrever desde um lugar que não é o meu (mas provavelmente eu teria menos amigo). Minha tentativa, além de inútil e cega, só comprova o incômodo com a minha condição de homem e a busca por uma resposta lá onde nada pode me responder. Os cães sabem disso. Eles não tentam escrever sobre nós. Devem rir às nossas costas.
Dito isso, releiam o parágrafo acima conforme orienta o título do post e substituam os termos "homens" e "cães" pelos gêneros que considerarem apropriados, pois é lei da metáfora que a verdade não encontra-se lá onde ela se apresenta.
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Uma amiga, habitual comentarista deste sítio (são cada vez mais escassos, quando não hipotéticos somente), apontou a difícil compreensão do texto de ontem. Daí deriva este pós-escrito. Pois entendo que, ao contrário do que afirmam certas disciplinas contemporâneas, a comunicação humana baseia-se não no entendimento entre os falantes, mas na falha. Se te pergunto "tudo bem?", não usas todas as palavras necessárias para qualificar ponderadamente teu estado momentâneo, até porque elas seriam insuficientes e eu ficaria cansado bastante rápido. E, se eu te compreendesse totalmente, não haveria qualquer razão para voltar a fazer essa pergunta, nem qualquer outra, eliminando com função da linguagem para nossa espécie. Por isso me respondes "tudo bem", o que é falso, contudo não te replico com "e a fome na África, isso é tudo bem pra ti?" pois, dentro da nossa não-comunicação, nos entendemos. Toda pretensa relação calca-se no sem-sentido, mas disfarçamos bem.
Portanto, nos parágrafos anteriores, onde estava escrito "homens e cães" sugiro que leia-se "mulheres e homens", nesta ordem. Na partícula que menciona que "cães não sabem ler", entenda "diferenciar um tamanco bege de uma sandália caramelo". O presumido livro, substitua pelo título de cabeceira da sua mãe, que provavelmente será "Homens são de marte, mulheres são de vênus" ou alguma outra sub-literatura desses psicólogos americanos. Se bem que todo esse post também pode ser interpretado como uma crítica ao confronto entre ecologistas e bancários, ou entre soviéticos e miniaturistas. Mas aí deixo a construção de sentido pra vocês.
Arrolamento de conquistas na duração do mês vigente:
- ligeiro prejuízo a reboco quando da aparentemente banal colocação de um quadro na parede;
- carbonização do winchester do computador da namorada durante downloads e reproduções alucinadas de episódios de Lost;
- carbonização parcial de duas pizzas sabor Lombo com Catupiry;
- aquisição de um pendrive de 4gb via internet por míseros 70 barões, sem qualquer relação com a blitz da Polícia Federal nas alfândegas ocorrida uma semana depois;
- parcial destruição do referido pendrive após acidente bizarro envolvendo uma moeda de 25 centavos e uma aula monótona de Fundamentos de Psiquiatria;
- derrota premeditada em concurso público, adiando indefinidamente a obtenção de vil metal;
- elevação ao posto de bolsista da secretaria da Clínica, obtendo o título de Burocrata Adjunto nível II;
(new) - colisão vertical com cadeira de escritório preta, tamanho médio, à época com 2 (dois) apoios de braço, culminando na inutilização permanente da mesma e desastrosa queda do agressor.
E só estamos na metade de março. Um bom ano a todos.
A propósito, feliz dia internacional da fêmea bípede sem plumas.
