Domingo, Julho 31, 2005


Coaching

Algum tempo atrás, eu e o Maurício fizemos um "estágio voluntário experimental em psicologia do esporte". Eufemismo sofisticado; na verdade, por quase um ano nós assumimos o lugar de professor em uma escolinha de futebol. E funcionou. Essa semana o Maurício trouxe Coach Carter pra gente assistir aqui em casa. É fera. Não vou contar o filme: aluguem e assistam, ou baixem da internet mesmo. Este blog apologiza a pirataria.



Bueno, no final do filme é mostrado um prólogo, informando que caminho cada um dos moleques tinha seguido.

Daí eu lembro do consciente Greco, um guri de 10 anos com potencial pra ser o futuro Zidane. Do Lucianinho, de drible rápido e ousado, que acabou com um zagueiro grosso em seu calcanhar e um mês de gesso na perna. Do Déric, piá franzino que matava aula pra jogar bola e ganhou de mim e do Maurício no gol-a-gol. Do João Henrique, um gordinho que só mirava no ângulo e raramente desperdiçava, e seu rival Thiaguinho, que com 8 anos a gente promoveu pra turma dos moleques de 11 pra dar alguma graça pros menores. Na subida levou junto seu marcador Rafa, que botava banca na defesa 2 anos mais velha que ele. Matheuzinho Gaúcho e Pablo, dois baixinhos que dava gosto de treinar.

Tinham uns tinhosos. Luan, que se achava o novo Robinho. O Calebe pentelho, ruinzinho e lento, que o Maurício ensinou a chutar de fora da área - começou a meter gol em todo jogo depois disso. Gui Panturrilha, de 6 anos, verdadeiro autor da frase "mas ele ia passar". Gui Cocito, de futebol muito semelhante ao do ex-jogador gremista. E a peste do outro Matheus, o gordinho indolente de olho azul, que se consagrou aplicando o drible 'bola-está-bola-não-está' em câmera lenta (um dia eu perguntei pro guri por que ele não usava o canhão que tinha na perna canhota. "Aí não ia ter graça"). O Borracha nos deixava de cabelo em pé quando fingia esquecer tudo aquilo que havíamos ensinado sobre coletividade, pegava a bola e driblava o time adversário inteiro antes de fuzilar pro gol.

(certa feita, o Borracha dominou na meia-cancha e o resto do time se posicionou pra receber o passe. Dois marcadores fecharam no guri, que ficou prensado contra a lateral. Perto dali eu me esganiçava gritando "toca, toca", implorando pra que o fominha soltasse a bola conforme planejado nos treinos. Aí ele rolou a bola entre as canetas do Yuri, dominou do outro lado, deixou o goleiro no chão e bateu pro gol livre. Tentei conter um sorriso faceiro no canto da boca, mas admito que não consegui.)

Deve ter mais algumas dúzias de nomes que me fogem à memória (como era o nome daquele goleiro gordinho?) que vão explodir daqui a pouco ou que já devem estar comendo a bola nas peladas do colégio. E talvez um dia, alguns anos a frente, eu vou assistir na televisão vestindo a camisa de algum time e fazendo outros apaixonados no resto do Brasil esboçarem sorrisos faceiros no canto da boca. Acho que dá.

adendo: a premissa do filme (e do nosso estágio) era tentar provar que o esporte poderia ser utilizado para educar. Embora tenhamos acompanhado os meninos por um período relativamente curto, penso que tivemos progressos significativos. Acredito que é possível gerar craques apesar dos clubes e formar cidadãos apesar do Brasil.


Tempo e Placar: Guto @ 18:05



Domingo, Julho 24, 2005


Diário de um detento enfermo

dia 0 - jogando o futebol consagrado dos sábados, eu piso na anteperna de um zagueiro e torço o pé, machucando seriamente os ligamentos. Os açougueiros traumatologistas imobilizam minha perna com uma tala e mandam que eu retorne em uma semana. Maurício fica encarregado de conduzir o Thundertanque até a garagem, causando pânico na população pedestre.
dia 1 - churrasco arregado no aniversário suficientemente roots do Stéfano. Descubro que andar com muletas é foda, especialmente debaixo do chuveiro.
dia 2 - a loirinha do oitavo andar observa minha recente lesão e não dá a menor bola.
dia 3 - embora seguindo as recomendações de manter o pé erguido, observo que os dedinhos estão inchados, roxos, sem nenhuma sensibilidade e fedendo. Irresponsavelmente, eu corto a tala. Tomo o melhor banho da minha vida.
dia 4 - retorno à Clínica Santo Antônio com dois dias de antecedência. Um dono de tabacaria alcoólatra se passando por médico informa que as manchas pretas no meu pé são resultantes da ruptura de ligamentos. Eu vou na dele. Ganho uma bota de gesso novinha de presente.
dia 5 - Bigode, o porteiro mexicano do prédio, implica com o entregador de pizza e sugere que eu desça para receber a entrega, pois são "normas do condomínio". Após uma leve argumentação via interfone detalhando o que eu acho do condomínio como um todo e recomendando locais onde as normas poderiam ser introduzidas, o motoboy é liberado para subir com a pizza. Viva os diálogos civilizados.
dia 6 - minha mãe me manda uma mantinha pra proteger o pé do frio. Mãe é foda.
dia 7 - uma semana com o pé danificado, mas a sensação é de que se passaram 7 dias.
dia 8 - a cambada vem me visitar aqui em casa. Pedimos pizza e dessa vez o Bigode nem chia.
dia 9 - num pequeno cochilo no meio da tarde, sonho que tô jogando um futebol e me lançam uma bola perfeita para ser devolvida de voleio. Faço o movimento correspondente e, no instante seguinte, acordo urrando de dor.
dia 10 - resolvi testar minha resistência e voltar a pé da faculdade para casa (por "a pé" leia-se de muletas). No meio do caminho ponderei que eu só posso ser doente pra fazer esse tipo de coisa.
dia 11 - lembrei que, quando me destruí no jogo, o Beto disse que se eu tivesse rompido os ligamentos mesmo estaria chorando no chão. "Nem precisa de tala, faz só um balde de gelo". Baita especialista em lesões, hein Beto?
dia 12 - aceito o argumento de que estar machucado não é motivo pra andar desleixado e vou fazer a barba. Eu parecia um ermitão das cavernas, de fato.
dia 13 - dá na ZH que o Iarley lesionou o ombro e, em caso de ruptura de ligamentos, pararia por 2 meses no mínimo. Calculo que me fodi. Sem futebol até novembro, pelo menos.
dia 14 - duas semanas já. Aprimorei a técnica de coçar dentro do gesso com a antena da TV. Acho que dessa vez vai.


Tempo e Placar: Guto @ 23:03



Domingo, Julho 17, 2005


Posts para enfartar a Tia Léa, parte III

Eu odeio advogados. Não as pessoas em si - tenho amigos advogados e alguns deles até são boa gente -, mas a casta social como um todo. Advogados, argh. (está muito frio e não vou abrir a janela para cuspir.) Na verdade o sistema jurídico todo é pestilento, mas canalizar a raiva nos advogados é mais bacana e se eu xingar algum juíz ele pode me prender por, sei lá, heresia em primeiro grau. Eu já vi filmes, sei como funciona.

Sentem-se: Tio Guto vai contar para vocês como o direito funciona por dentro. Observem que abdico deliberadamente da inicial maiúscula, o que representa o meu grande desprezo por essa sub-ciência. Eu redigiria entre aspas, "direito", para ressaltar ainda mais meu repúdio, e se estivesse conversando oralmente talvez fizesse aspas com os dedos. Contudo, isso é gay e apenas decoradores, críticos de cinema e demais afeminados ainda se utilizam desse recurso amador de pseudo-ironia.

I - Ética
Primeiro, eu nunca vi um advogado admitir que estava errado. "É, visto deste ponto, devo reconhecer que meu cliente parece mesmo ser culpado das acusações." NUNCA! Não há precedente! Das duas, uma: ou advogados são crédulos o suficiente para acreditarem SEMPRE na palavra de quem quer que os tenha contratado, ou estão usando a premissa do profissionalismo - desculpa rota eles aprenderam na segunda aula cadeira de Ética. Na primeira o professor explicou que, na prática do direito, eles deveriam sempre na defesa da verdade. Da verdade do cliente.


foto tirada com um celular por um cinegrafista amador do Direito-PUCRS


II - Técnica
Já viram quantos jargões, vernáculos e latinismos são usados pela galera do direito? Tranquilamente daria para fazer uns doze dicionários de juridiquês. O direito é a arte da retórica e contra-argumentação. Trata-se, ao cabo, de conhecer o maior número de formas polidas de dizer "prova isso então, seu filho da puta". O resto é engodo.

III - Função Social
Na maior parte das vezes, as pessoas só precisam dos advogados para se defenderem de OUTROS advogados. Isso é retro-alimentar a casta, que se julga (há! "se julga") imprescindível para o funcionamento da sociedade. Mas não sejamos extremistas (há!²): como toda crítica científica deve se basear em dados mensuráveis, aqui vai uma listinha das mais repugnantes categorias humanas (há!³) existentes:

7 - padres, pastores, ministros de fé e religiosos em geral
6 - professoras de Geografia
5 - piscólogas
4 - vendedores de telemarketing
3 - atendentes de 0800
2 - taxistas
1 - advogados


Os advogados e as professoras de geografia vão discordar, resmungar, me acusar de simoníaco, mentecapto e lunático. Pois bem, eu rebato com dados legítimos e inquestionáveis:


mighty impressive, uh?


O sofisticado gráfico acima não deixa nenhuma dúvida. A discussão está encerrada. Um beijo.


Tempo e Placar: Guto @ 23:49



Domingo, Julho 10, 2005


Ossos do ofício*

Acho que já estava 2x0 pra eles. Jogo truncado, faltas em demasia e pouca bola no chão. Aí eu, tentando pegar o goleiro deles desprevenido, dominei de costas, girei rapidamente e emendei um sem-pulo que estourou no estômago do zagueiro. Na descida apoiei toscamente o pé na panturrilha do cara. PLEC.

Me arrastei pra fora do campo já fazendo sinal pro Maurício entrar no meu lugar. Os caras do outro time vieram ver o que tinha acontecido, acho que eles também se assustaram com o "plec". Respondi: tá na boa, segue o jogo, e descalcei com cuidado minha chuteira Umbro modelo 1999. Tinha uma bergamota pokan no lugar onde anteriormente se encontrava meu tornozelo. Resolvi dar uma passadinha na traumatologia, tipo assim, só por via das dúvidas.

Quando o médico exclama PUTZ ao verificar o estado dos teus ligamentos tu tens motivos reais pra te preocupar. Se bem que eu não sei se estava mais aflito com o resultado da radiografia ou com o Maurício no volante do Thundertanque. A boa notícia é que não houve ruptura, então em uns 15 dias eu devo estar de volta aos gramados sintéticos. A má... bom, a má é essa:



Hehe tô na merda :]


Tempo e Placar: Guto @ 11:56



Domingo, Julho 03, 2005


Posts para enfartar a Tia Léa, parte II

Eu odeio pessoas sensatas. Pessoas comedidas, que agem com muita parcimônia e ponderação, me dão nojo. Eu escarraria no chão para demonstrar meu desprezo em relação às pessoas sensatas, mas tem roupas espalhadas por todo o meu quarto e poderia acertá-las. Já sei: vou cuspir pela janela em repúdio - CUSP! - pronto. O gomo de saliva desenvolveu uma interessante trajetória descendo os 15 andares do meu prédio, mas perdi-o de vista antes que tocasse o solo.

Vocês provavelmente conhecem o homem sensato. Ele tem o cabelo bem cortado, a barba cuidadosamente feita e, possivelmente, um bigode precisamente aparado. Ele assina jornais de grande circulação, que, envolto em um chambre, lê pela manhã (não inteiro; na verdade, folheia apenas as primeiras páginas, parte para os quadrinhos e confere seu horóscopo, só por curiosidade). O homem sensato chega adiantado ao trabalho e cumprimenta cordialmente todas as pessoas - é muito bem quisto, o homem sensato. Quando chega em casa, assiste ao Jornal Nacional, fica momentaneamente indignado com a política e janta ao lado de sua esposa, a mulher sensata. Depois dormirão o sono dos justos, e no outro dia retomarão sua sensata rotina - exceto no domingo, quando talvez vá à missa. O homem sensato não guarda mágoas no coração e come muitos legumes.

CUSP! - escarro novamente janela afora.

Enojam-me os sensatos. Prefiro o céu pelo clima e o inferno pela companhia, mas se tiver que optar eu pego o elevador que está descendo. Aprecio a companhia dos pândegos, dos irresponsáveis, dos glutões, dos insolentes e dos fanfarrões. Aqueles que, sutilmente, desafiam todas as regras e estilhaçam qualquer convenção. Que se propõem objetivos inatingíveis, quebram a cara e exibem os dentes quebrados como troféus. Que se ficam indignados com o extermínio das baleias, reacionários e seguranças de boate. Que insistem no que jamais funcionou e não desistem jamais - ou desistem, qual o problema nisso?

Seja saudavelmente insano. Chame seus professores por apelidos inusitados. Atire seu celular pela janela e verifique em quantos pedaços ele ficou destruído. Blasfeme. Invente histórias e atribua-as a outras pessoas. Seja arrogante, prepotente, preguiçoso, e vanglorie-se disso. Generalize. Urine em advogados e professores de geografia. Contrarie as pessoas e questione sua orientação sexual. Cultive desafetos. Pense no que um viking, um lenhador ou um pirata fariam em determinada situação e use isso como argumento.



Odeie pessoas de alguma espécie, ou de qualquer espécie. Eu, dentre outros, odeio pessoas sensatas. CUSP!

E também odeio quando a janela está fechada.


Tempo e Placar: Guto @ 17:12



°º Passado º°

°º Bruxos º°


Beta

Blogcinho_

coiote4fun

Dreamer's Life

Gusss Notes

Kuramundo

La Mafia Trumpi

Little Room

Pinguas

Prof. Maurinho

Teatro das Sombras

Tugo Na Colina

Vertigo

Yuusuke's Life



°º Links º°


Malvados

Mau-Humor

Melhores do Mundo

No Agressus

insanus

Alexandre Soares Silva

Benett-O-Matic

Veríssimo



°º Entretenimento º°


GunBound Brasil

Hattrick

Orkut

VG Cats


Take the MIT Weblog Survey



Sin perder la ternura jamás...



Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com